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• Festa de São Benedito, janeiro * - No Brasil, o costume de misturar sagrado e profano vem desde o século XVIII. E a Capitania do Espírito Santo copiou a moda. Festividades como congada e fandango provam isso.
O congo tem seu ponto alto nas festas da puxada do mastro, que ocorrem em todo o Espírito Santo durante os meses de dezembro e janeiro
Esconderijo
Em quase todos os vilarejos, principalmente na capital Vitória e nos municípios de Cariacica, Serra, Aracruz, Fundão, Timbuí, Acioli, Ibiraçu, Alfredo Chaves, Guarapari, Colatina, São Mateus e Conceição da Barra, têm lugar as duas fases que compõem a festa: a cortada e a puxada do mastro.
Pessoas simples, os integrantes das bandas de congo utilizam instrumentos rudes feitos por eles mesmos. Uma visita à mata rende o pau oco, as barricas, taquaras e peles de animais usados no feitio. Sem falar na folha-de-flandres e no ferro torcido.
Encenação
Um mês antes da festa do santo – São Pedro, São Sebastião, São Benedito, seja lá quem for – ocorre a cortada do mastro. Um tronco de árvore é escolhido, cortado e desgalhado. Aparado o pau, é adornado com bandeirinhas, flores e fitas coloridas. À festa comparecem o festeiro, os integrantes da banda de congo, devotos do santo e o povo em geral.
O tronco é conduzido festivamente ao som das toadas da banda à casa do festeiro, onde permanece até o dia da puxada. Há mastros preparados com esmero, pintados de uma ou várias cores e enfeitados com desenhos. Outros, porém, são toscos e ásperos, quase da grossura natural – menos no alto do mastro, onde é colocada a bandeira com a pintura do santo em tela ou pano, encaixada na armação ou guarda de madeira.
A puxada de mastro se realiza na véspera ou no dia do santo. Posto o mastro sobre o barco ou navio, ou simplesmente conduzido por homens chamados de guardiões, começa a puxada.
A festa é uma procissão, mas uma procissão diferente, sem santo nem andor, a não ser a representação do santo através da bandeira.
No decorrer da puxada, uma ou mais bandas de congo entoam, sem descanso, suas velhas músicas, ao som das quais dançam durante todo o percurso. O cortejo percorre as ruas da cidade ou vila, dirigindo-se à igreja.
Sem rumo
Retira-se, então, o mastro do barco e a dança inicia-se, jogando-o ao alto e aparando-o nos braços, amparado pelos vivas ao santo homenageado. A cena final é a fincada do mastro, em frente ou ao lado da igreja.
Fincado o mastro, os vivas, foguetes, sinos e o baticum frenético dos tambores da banda de congo anunciam o fim da festa.
‘‘Se há festas do mastro em outros pontos do Brasil – e há, especialmente no ciclo junino – nenhuma assemelha-se à festa capixaba’’, afirma o folclorista Guilherme Santos Neves.
‘‘Marcada pela cortada, puxada e fincada do mastro, dentro do ritual profano-religioso que a distingue, com barco, mastro e bandeira do santo e com o aparato poético-musical das bandas de congo’’, diz.
* Pupa Gatti, A Gazeta
• Festa de N. Sra. dos Navegantes, Fevereiro
• Comemoração de Corpus Christi, Maio/Junho
• Festa de São Pedro e Semana do Meio Ambiente, Junho